Somos reativos
Por estes dias, há uma boa noticia que, ao mesmo tempo,
demonstra bem uma característica nossa enquanto país.
Ao que parece, a Universidade do Minho vai abrir (e bem) o primeiro
curso superior em proteção civil e gestão do território. Esta é a boa notícia.
A característica que me refiro é sermos reativos. Quem de nós já não disse: só
quando acontecer alguma coisa é que se resolve? A ponte Entre-os-Rios, vários
avisos de que estaria a ficar em perigo, só quando ruiu é que se reconstruiu e
ainda se fez uma ao lado. Só depois de uma pressão grande, muitas vezes
protagonizada pelos media, é que os problemas são resolvidos. Lembro-me de há
não muitos anos, existir um programa na televisão que era de queixas dos
cidadãos, e só depois o problema era resolvido. Só depois de chegarem faturas
de trocas de pneus, é que muitas vezes as autarquias tapam determinados buracos
na estrada. Sempre assim foi, sempre assim será.
Esta licenciatura, vem espelhar a reação, académica, da tragédia
vivida em 2017 em Portugal à conta dos incêndios. E agora vem aquela parte de
treinador de bancada e em que pergunto: mas então não deveria ser dos primeiros
cursos, uma vez que proteção civil é uma das áreas abrangentes pelas funções
gerais de soberania? Por mínima que seja a intervenção do Estado, a proteção
civil, assim como a defesa e segurança e a representação do país no estrangeiro
será sempre da competência do Estado.

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