Gorjetas
Até fiquei confuso e fui ver, mas acho que se trata da
segunda definição.
Ao que parece, Ronaldo deixou uma gorjeta no valor de 20 mil
euros num hotel. Vou repetir, 20 (vinte) mil euros. Sim, o valor de um carro.
Aquele que os jovens querem comprar mas os bancos não emprestam porque há
elevado risco ou que os pais dos jovens estão a demorar uns 5 ou 7 anos a
pagar. Gorjeta, atenção.
Eu não sou contra gorjetas, apesar de rezar a lenda que
quando era miúdo ficava para trás nos restaurantes e ratava a gorjeta que o meu
pai deixava aos empregados de mesa, até que ele percebeu e começou a deixar no
meu mealheiro. E quando trabalhei numa esplanada durante o verão, para pagar a
minha carta de condução, sabia-me bem – ao ponto de hoje ainda me lembrar –
chegar ao fim do dia e contar uns meros 3 euros e pouco que era o que o turno
da manhã me rendia de gorjetas. Contra gorjetas, nada. Hoje quando sou bem
atendido deixo a minha, humilde é certo, mas não é a intenção que conta? Só não
tenho culpa que desde que trabalhei na esplanada, há oito anos, até hoje, o
mercado das gorjetas tenha sofrido tal valorização. É a economia, estúpido!
Agora, vejamos o relevante, porque na verdade o Ronaldo faz
o que quer ao seu dinheiro, que o suou bem. Quanto é, percentualmente, 20 mil
euros à beira do preço que pagou? Sim, porque o hotel é luxuoso… O que
representa para o Ronaldo 20 mil euros? Será que representa os meus 50 cêntimos
ou o meu euro? Aí é que está a questão…
Vai na volta, e não é mais do que uma lição equidade, tal
como deveria acontecer nos impostos. Já ouviram falar de progressividade
fiscal? Pois bem, ficará para uma próxima.
NOTA: em última instância, foi, tal como a empresa que já falamos em que se trabalha menos horas, da Nova Zelândia, uma grande jogada de marketing.

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